UM DIA DE LIBERTAÇÃO – “Lembra-te do dia de sábado, para o santificar”

“Lembra-te do dia de sábado, para o santificar. Seis dias trabalharás e farás toda a tua obra. Mas o sétimo dia é o sábado do SENHOR, teu Deus; não farás nenhum trabalho, nem tu, nem o teu filho, nem a tua filha, nem o teu servo, nem a tua serva, nem o teu animal, nem o forasteiro das tuas portas para dentro; porque, em seis dias, fez o SENHOR os céus e a terra, o mar e tudo o que neles há e, ao sétimo dia, descansou; por isso, o SENHOR abençoou o dia de sábado e o santificou” (Êxodo 20:8-11).

OS DEZ MANDAMENTOS, UMA ALIANÇA COM O HOMEM

1. Deus fez uma aliança com o homem no Sinai. A aliança foi feita por meio de Israel porque Israel foi usado para mostrar Deus a todas as nações da terra. Aliança é eterna, irrevogável.

a. Uma aliança com dez clausulas.

b. Êx 19,20.

2. Deus escreveu os Dez Mandamentos com a Sua própria mão (isso fala de solenidade, santidade, eternidade, inviolabilidade). Quem tem autoridade na terra para mudar uma vírgula do que YHWH escreveu com o seu próprio dedo?

Êxodo 31:18: “E, tendo acabado de falar com ele no monte Sinai, deu a Moisés as duas tábuas do Testemunho, tábuas de pedra, escritas pelo dedo de Deus”.

INTRODUÇÃO

1. A palavra “sábado” vem do vocábulo hebraico shabat, que literalmente significa descansar, folgar, feriar, respirar, cessar, desistir, parar.

2. Êx 20.11 diz que o shabat é um memorial de que Deus descansou de Sua obra criadora no sétimo dia. Deus descansou não por motivos físicos, porque Ele nunca se cansa (Sl 121.4; Jo 5.17): o repouso divino se refere ao simples fato de que Deus cessou de trabalhar (Gn 2.2). Se Deus descansou da Sua obra e o homem foi criado à sua imagem e semelhança, deve também descansar.

3. Este é o primeiro mandamento colocado em uma sentença positiva (o segundo está no verso 12). Embora todos os Dez Mandamentos sejam uma dádiva de Deus, o quarto, de modo especial, é qualificado como presente do Senhor.

A ARIGEM DO SHABAT: DEUS

1. A santificação de um dia do Senhor não se originou com Israel, nem com a igreja e nem através de um gênio humano benevolente, mas na mente de Deus, o Criador, que o instituiu para o bem estar do homem.

2. A não-observância desse mandamento equivale à não-observância de qualquer outro mandamento, como matar, adulterar, idolatria…

O SHABAT APONTA PARA UM FUTURO PROFÉTICO

O dia do descanso abre-nos a perspectiva para o grande Dia do Senhor, quando cessará todo trabalho cansativo do homem (Ap 21.4,23; 1Jo 4.17; At 17.31; 1Co 1.8; 1Ts 5.2).

Hebreus 4:9: “Portanto, resta um repouso para o povo de Deus”.

O SHABAT E O LEGALISMO

1. Com o passar do tempo, os judeus acabaram sobrecarregando a interpretação dos mandamentos, criando jugos desnecessários por apegar-se à letra e não ao espírito da Lei. Foi contra essa sobrecarga aos mandamentos de Deus pelas tradições humanas que Jesus se levantou.

2. Suas observações não foram contra a instituição do shabat e nem contra o ensino do Antigo Testamento, mas contra o legalismo religioso dos intérpretes da Lei.

3. O caminho para o cumprimento do quarto mandamento não é o legalismo proposto pelo farisaísmo nem a libertinagem praticada pelo antinomismo, mas a fé que atua pelo amor (Gl 5.6).

4. Se o mandamento do sábado escravizar a pessoa, ele não terá mais nada a ver com a vontade original de Deus. Deus não nos deu os mandamentos para nos oprimir, mas para nos dar vida digna.

POR QUE OBSERVAR O SHABAT?

1. Um memorial da Criação e um tempo para adorar o Criador

Êx 20.8-11 o sábado é colocado como um memorial da criação, um reconhecimento de que Ele é o Criador.

O homem foi criado no final do sexto dia, ou seja, na entrada do Shabat. O primeiro dia do homem foi adorando e descansando (Tarde e manhã).

Nesse dia devemos lembrar-nos da nossa suprema vocação: fomos criados para adorar! O primeiro dia do homem na terra não foi de trabalho, foi de culto. Na viração do dia, a última e a primeira visão do homem, era o Criador!

2. Percebermos o sagrado na vida

1. Guardar o shabat é uma forma de reverenciar o “santuário” do Senhor:

Levítico 19:30: “Guardareis os meus sábados e reverenciareis o meu santuário. Eu sou o SENHOR”

Jesus também reverenciou o shabat e leu as Escrituras no santuário do Senhor (Lc 4.16).

2. Infelizmente a percepção do sagrado tem ficado escassa no homem moderno. Isso leva à desvalorização: da vida; do trabalho; dos recursos; da natureza, do homem, do sexo etc. O resultado a “banalização”.

3. Conscientizar-nos de que precisamos descansar

1. Somos libertos da tirania do ativismo e do materialismo.

2. Não fomos criados só para lutar e trabalhar. Nenhum ser humano sobrevive sem descanso; o homem tem necessidade de uma parada física, mental, emocional e espiritual.

a. Somos tendenciosos a esquecer do Senhor e a pensar só em nós, em nossos afazeres e preocupações.

3. Quando dormimos, descansamos, relaxamos, o nosso corpo entra num estado mais lento para os órgãos (coração etc) descansarem. Se vivermos 24 horas de estresse, nosso corpo não agüentará a sobrecarga!

a. Precisamos do descanso para que as nossas forças interiores se regenerem.

4. Um dia para balanço

1. Nesse dia, devemos avaliar os nossos próprios atos, dedicar-nos à meditação, distanciar-nos dos afazeres e obtermos uma nova perspectiva da vida.

2. Jesus curou intencionalmente no sábado (Lc 13.10-16): nesse dia a pessoa deve se lembrar de sua forma original em que Deus o criou. O sábado existe para curar todas as deformações que sofremos por meio das ofensas cotidianas e, assim, restaurar-nos à forma que Deus a queria.

3. Quando celebramos o descanso, preparamo-nos para novas realizações. É muito desanimador a sensação de que não há começos e conclusões! Ter a impressão de que um trabalho nunca acaba é desesperador! Celebrar o descanso gera em nós gratidão pelas conquistas alcançadas e nos dá entusiasmo para novos começos. Quando emendamos um dia no outro sem marcar um recomeço, temos a sensação de que nunca chegaremos lá. Quando olhamos para o tempo do ponto de vista bíblico, aprendemos que um novo dia começa com o pôr do sol e não com o nascer dele. Essa perspectiva muda completamente a nossa maneira de ver as coisas, uma vez que o nosso dia não começa com aquele despertador enlouquecido aos nossos ouvidos nos chamando para a correria do dia-a-dia, mas começa nos chamando para o descanso e adoração a Deus! É quando voltamos do trabalho e nos dirigimos para nossas casas a fim de encontrar um lugar de refúgio e reflexão. Lembremo-nos que em Gênesis 1, a Bíblia caracteriza o dia como “tarde e manhã” (e não o contrário). No sexto dia Deus criou o homem que já teve o seu primeiro dia de vida num shabat! Nesta ocasião o Criador estabeleceu o sábado como o dia universal de descanso e, diga-se de passagem, ainda nem existia a Lei de Moisés (Gênesis 2.2,3)!

5. O shabat é também uma cura.

1. Para que não sucumbamos à pressa, a um estado de agitação nervosa, mas, em paz, encontremos nosso centro, fiquemos saudáveis e inteiros:

Deuteronômio 5:15: “Porque te lembrarás que foste servo na terra do Egito e que o SENHOR, teu Deus, te tirou dali com mão poderosa e braço estendido; pelo que o SENHOR, teu Deus, te ordenou que guardasses o dia de sábado”.

2. Visto que Deus libertou o Seu povo da escravidão do Egito, o sábado deve nos guardar de escravizarmos a nós mesmos.

3. O mesmo espírito que operou em Faraó sobrecarregando o povo com duros trabalhos, é o mesmo que vem para nos afligir quando pensamos em “celebrar uma festa ao Senhor no deserto”: Êx 5.1-14.

4. O shabat é a festa da libertação do povo de Deus das cargas do Egito!

5. A celebração do shabat é uma festa da liberdade, em que nos libertamos daquilo que a sociedade, o Estado e o mundo continuamente cobram de nós. É o dia em que dizemos “NÃO” à opressão!!

6. O shabat nos lembra que todas as pessoas são iguais perante o Criador (justiça social):

“…Mas o sétimo dia é o sábado do SENHOR, teu Deus; não farás nenhum trabalho, nem tu, nem o teu filho, nem a tua filha, nem o teu servo, nem a tua serva, nem o teu animal, nem o forasteiro das tuas portas para dentro…”

1. O shabat é um golpe contra a cultura capitalista que atribui ao ser humano o valor que ele produz e contribui no processo econômico.

2. Em Dt 5.15, a razão de guardar o shabat é a lembrança de que o povo de Israel foi libertado do Egito. Uma vez livre, a nação deveria mostrar misericórdia para com aqueles que, entre o povo escolhido, agora eram escravos: “… o teu servo e a tua serva descansem como tu…” (Dt 5.14).

POR QUE “SANTIFICAR” UM DIA?

“Lembra-te do dia de sábado, para o santificar.”

1. Todos os dias são santos para Deus, mas se porventura esquecermos disso, devemos “lembra-nos” acerca do sábado.

2. “Santo”, na Bíblia, significa “separado”, aquele que é tirado do mundo. O sábado, então, é santificado; isso significa: ele foi tirado do âmbito de domínio do mundo, do terror dos horários, da pressão das expectativas a que nos sentimos continuamente expostos. É um tempo santo que pertence a nós e a Deus, em que ninguém pode dispor de nós. É um tempo livre em que recuperamos o fôlego e nos sentimos libertos de tudo o que, em geral, nos assalta diariamente.

CONCLUSÃO

O shabat nos liberta do terror do mundo e nos leva para perto de Deus. Próximos de Deus, nós mesmos nos tornamos santos. Aí somos libertados do ditado de termos que produzir sempre mais. Aí a agenda não tem mais poder sobre nós. E perto do Deus santos nos restauramos e completamos. Aí chegamos a nós, ao nosso centro e, a partir desse centro, podemos administrar nosso cotidiano com calma sem sermos escravizados.

O shabat é um grito do Espírito e da Noiva que dizem: “vem, Senhor” (Ap 22.17).

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