OS DEZ MANDAMENTOS NA ATUALIDADE – parte 01

INTRODUÇÃO

Tenho percebido uma certa escassez literária quanto aos dez mandamentos. Realmente falta material que se aprofunde nesse tema e aborde os princípios do Decálogo de forma prática e atual. Atribuo essa escassez a dois aspectos:

•    Os judeus, receptores e guardiões dos dez mandamentos, acabaram diluindo-os em centenas de outras leis (havia mais de 248 mandamentos 365 proibições) que perderam o impacto e a força nas dez sentenças dadas por Deus.
•    Os cristãos, privilegiados pela “Lei do Espírito”, temendo incorrer no mesmo erro dos antigos intérpretes da Torah, de transformar os preceitos de Deus em um mero código escrito, evitam abordar esse tema de forma aberta e sem preconceitos por temer excessos e legalismos.

Penso que Yahweh deu os dez mandamentos como um presente à humanidade, sendo esses uma herança ao mundo sem direção. Essa dádiva é fruto do amor divino por sua criação e manifesta a essência da sua graça. Evidentemente uma mente corrompida sempre levará até mesmo a mais precisa verdade a extremos e extravagâncias que a deturpará e a transformará em um peso difícil de ser carregado.

“Decálogo” – Vem do grego deka (dez) e logos (palavra), ou seja, “dez palavras”.

Considerações Preliminares

O Princípio da Lei

Todo povo precisa ter leis, e até as tribos mais primitivas contam com sua legislação, formal ou informal.
Uma lei mostra um padrão a ser seguido pela sociedade.

Lei e Graça

Podemos reconciliar a Lei e a Graça. Se considerarmos aquelas obras como operações do Espírito, então a Lei e a graça são sinônimos. A Lei aponta para os princípios morais, e as operações do Espírito tornam-nos pessoas moralmente inclinadas, capazes de pôr em prática aquilo que a lei mosaica recomenda moralmente. Naturalmente, a letra mata. Por si mesmo, a lei nunca será uma força espiritual capacitadora. É o Espírito de Deus quem nos dá vida (2Co 3.6).

A Lei é boa e mostra os padrões divinos para a humanidade. Porém quando chega o momento de cumprir o espírito dos mandamentos, então é que precisamos do poder capacitador do Espírito Santo.

Não há qualquer contradição ou antipatia entre a graça e a Lei, ou entre o amor e Lei. A vida cristã envolve a observância das “ordenanças de Deus” (1Co 7.19). Mas isso só pode ser feito mediante a atuação do Espírito capacitador, que vem residir no crente (Rm 8.2ss). A espiritualidade é uma obra do Espírito (Gl 5.22,23) e não meramente a tentativa de obedecer, segundo nossas melhores possibilidades de atender aos mandamentos.

A Lei: Um Espelho

Os dez mandamentos despertam em nós a consciência de nossa própria imperfeição:
Romanos 3:20: “Visto que ninguém será justificado diante dele por obras da lei, em razão de que pela lei vem o pleno conhecimento do pecado”.

Universalidade dos Mandamentos

O número dez fala de universalidade. Os dez mandamentos não foram dados só para os judeus, mas a toda a humanidade através dos judeus.

O decálogo é mais que um código de leis. Antes, é a base do pacto teocrático que separou o povo de Israel como um veículo do favor divino, como um elemento através do qual a mensagem espiritual haveria de ser transmitida.

Todos os aspectos da vida estão embutidos nos dez mandamentos. Esse fato nos ensina que não existe o chamado dualismo que é a separação entre o sagrado e o secular. Tudo o que diz respeito a nós é sagrado.

Os dez mandamentos não envolvem os deveres dos judeus para com os judeus, mas dos homens para com todos os homens.

A Eternidade dos Mandamentos

ALei foi escrita em tábuas de pedras pelo próprio Deus. Nos países orientais, a pedra simbolizava a perpetuidade da Lei, ali contida. As tábuas de pedra estavam escritas em ambas as faces, indicando quão completa era aquela legislação. Subseqüentemente, as tábuas de pedras foram guardadas no lugar sagrado do tabernáculo, salientando o ato e a importância da revelação divina (Hb 9.4).

Divisões dos Mandamentos

Aprimeira parte trata da responsabilidade do homem diante de Deus, incluindo o primeiro e grande mandamento de se amar a Deus com todas as fibras e potencialidades do ser (Dt 6.4,5; Mt 22.36ss). A segunda parte definia os deveres do homem para com os seus semelhantes, o que é elaborado em Lv 19.18.

Os Dez Mandamentos e o Novo Testamento

Mateus 5:17: “Não penseis que vim revogar a Lei ou os Profetas; não vim para revogar, vim para cumprir”.
Jesus não só validou os dez mandamentos, mas ampliou o seu alcance (Mt 5.22) elevando e aprofundando o seu sentido às motivações humanas.

Todos os dez mandamentos são reiterados no Novo Testamento. De acordo com o Novo Testamento, é necessário o ministério do Espírito Santo, a fim de que a lei moral seja inscrita em nossos corações, e não seja meramente entendida por nosso intelecto (2Co 3.3).

A Lei do Espírito, que não é assimilada simplesmente num código escrito, mas no nosso espírito pelo Espírito Santo que em nós opera é que nos transforma (Rm 8.2).

Os Dez Mandamentos e a Salvação

A observância aos mandamentos, por si só, não é capaz de salvar a alma, pois a mesma é um ato da graça de Deus aceita mediante a fé em cada coração arrependido (Ef 2.8,9).

Tiago 2:24: “Verificais que uma pessoa é justificada por obras e não por fé somente”.

Lei e graça não são dois princípios separados, opostos, contraditórios, mas são pólos opostos de um mesmo princípio mais profundo, formando uma única verdade.

Romanos 3:28: “Concluímos, pois, que o homem é justificado pela fé, independentemente das obras da lei”.

A Lei para Paulo

Segundo Paulo, a lei tinha funções diferentes daquelas que os judeus lhe atribuíam:

•    A Lei nos dá o pleno conhecimento do pecado (Rm 3.20);
•    A lei atrai o julgamento (Rm 7.10) pois nos mostra o quão miseráveis e desobedientes nós somos.

Paulo não subestima a Lei, pelo contrário, considera-a a “lei de Deus” (Rm 7.22; 8.7), “santa, justa, espiritual e boa” (Rm 7.12; 14,16). Serve para a vida (Rm 7.10), porque as pessoas que a observam viverão por ela (Gl 3.12; Rm 10.15).

Paulo diz que essa lei precisa ser cumprida em nós que andamos “segundo o Espírito” (Rm 8.4); e conforme Rm 8.7, sua não-observância constitui inimizade contra Deus. De acordo com o ensino de Paulo, o homem  interior tem prazer na lei de Deus (Rm 7.22).

O problema é que a lei não pode salvar ninguém e nem tampouco gerar santidade (Rm 8.3; Gl 3.21), porque é enfraquecida pela carne. Pode apenas revelar nossa pecaminosidade (Rm 3.20), a merecida ira de Deus sobre a desobediência (Rm 4.15) e, finalmente, trazer a condenação sobre a humanidade inteira (Gl 3.10).

É impossível ganhar a justiça de Deus através da lei (Rm 3.28; 4.6; 10.3), mas tão somente pelo sangue precioso de Jesus Cristo (Rm 3.28; 5.9; Gl 2.1; Ef 2.8). Paulo vai mais longe e afirma que Cristo é o fim, o cumprimento da Lei (Rm 10.4).

O Amor e os Mandamentos

João 13:34: “Novo mandamento vos dou: que vos ameis uns aos outros; assim como eu vos amei, que também vos ameis uns aos outros”.

Dt 4.6; Rm 13.10; 1Tm 1.5. O amor deve ser a motivação para cumprirmos os mandamentos e não a obrigatoriedade. Foi por amor que Yahweh nos deu a Lei e só por amor conseguiremos cumpri-la. Quando amamos a Deus, evitamos a idolatria. Quando amamos ao próximo, não o prejudicamos.

A Lei do amor inspira-nos a ações positivas, de tal forma que não cumpriremos a Lei meramente a fim de evitar certos atos errados. O respeito ao próximo envolve mais do que evitar coisas que possam prejudicá-lo. Também precisamos promover ativamente o bem de nossos semelhantes.

Mateus 22.37-40: “Mestre, qual é o grande mandamento na Lei? Respondeu-lhe Jesus: Amarás o Senhor, teu Deus, de todo o teu coração, de toda a tua alma e de todo o teu entendimento. Este é o grande e primeiro mandamento. O segundo, semelhante a este, é: Amarás o teu próximo como a ti mesmo. Destes dois mandamentos dependem toda a Lei e os Profetas”.

O primeiro mandamento consiste no amor a Deus, no grau mais elevado e final possível; e o segundo, na ordem de importância, é a extensão horizontal desse amor, isto é, o amor ao próximo.

Romanos 13.9,10: “Pois isto: Não adulterarás, não matarás, não furtarás, não cobiçarás, e, se há qualquer outro mandamento, tudo nesta palavra se resume: Amarás o teu próximo como a ti mesmo. O amor não pratica o mal contra o próximo; de sorte que o cumprimento da lei é o amor”.

One response

5 11 2009
adolfina viana sanchs

muito bom, uma bencao!

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