Restauração em tempo de crise

O primeiro livro de Reis, capítulo 19 e versículos 9 ao 18 fala sobre uma crise que o grande profeta Elias enfrentou. De uma forma ou de outra, todos nós passamos por crises que nos remetem a esse episódio tão relevante nas Escrituras e que tanto nos ensina como alcançar restauração em tempos de crise.Elias provara grandes experiências, onde fora usado para restaurar a Nação de Israel que havia deixado os caminhos de Iavé. Grandes milagres foram realizados por meio dele e o Senhor havia confirmado seu ministério profético dando-lhe autoridade e notoriedade sobre todo o povo. Todavia, encontramos esse poderoso homem de Deus enfrentando uma das maiores crises de sua vida – a famigerada Jezabel havia colocado sua cabeça a prêmio, ameaçando-o de morte. O texto bíblico que mencionamos começa: “Ali entrou numa caverna…” (verso 9).

Quantos homens e mulheres estão nesse momento debaixo de uma palavra ou situação de ameaça que os lançou na caverna do desespero, do desânimo, da depressão e da derrota! É muito comum na natureza humana deixar-se intimidar por coisas adversas, e permitir sermos lançados nas cavernas escuras, frias e úmidas do medo e do desespero. Esse é um erro que freqüentemente cometemos e que se torna uma armadilha, atraindo-nos para o isolamento e privando-nos de qualquer possibilidade de resgate. Quando nos lançamos em cavernas, abrimos portas para uma série de outras situações que contribuem para que a crise se agrave ainda mais. Elias, desejando para si a morte (verso 4), começava uma seqüência de auto mutilações emocionais e espirituais. Primeiro ele comete a mutilação relacional, isolando-se de tudo e de todos (verso 3b), em seguida ele perde a visão da beleza de viver e de todo o brilho que a vida oferece (verso 4). Não é isso que acontece conosco, quando estamos desprovidos de uma relação sólida e profunda com o Pai? Não temos criado situações que mais nos prejudicam do que nos levam a encontrar uma saída para a crise?

Em seguida um outro fenômeno aconteceu com o profeta e que se repete em nossas vidas quando nos deixamos levar pelas circunstâncias: A impressão de que fomos abandonados. Fugimos de tudo e de todos e ainda culpamos aos outros por terem feito isso conosco! É o que chamo de “síndrome do remanescente” (verso 10). Há uma multidão de pessoas que pensa ser a única que restou – todos estão errados, o marido, a mulher, o líder, o chefe etc, ou seja, “ninguém o entende”, acham-se incompreendidos e começam a assumir uma postura de vítimas, sendo consumidos por um sentimento de autocomiseração e provocando o próprio martírio! Esse é um erro que muitas pessoas, muitas instituições e até igrejas cometem. Por isolar-se de todos, acabam perdendo o referencial do que Deus está fazendo, achando que só eles permaneceram fiéis, mas se esquecem de que Deus preservou mais uns “sete mil” que estão de pé (verso 18).

A caverna nos priva da visão do que Deus está fazendo de bom, nos impede de ver o Seu agir e produz em nós atitudes suicidas, onde começamos a nos excluir do direito à felicidade e realização pessoal. De repente começamos a olhar em volta e só conseguimos enxergar tragédia, desesperança e fracasso. Essa atitude acaba por nos transformar em eremitas, fazendo-nos idealizar nosso próprio universo, distante do universo alheio e cada vez mais irreal.

Uma outra área que pode ser terrivelmente avariada em nós em momentos como esses, é a percepção da voz e da presença de Deus. Naquele momento de crise, Elias não conseguira sentir a presença de Deus por meio dos grandiosos eventos da natureza que lhe visitaram: nem por meio da forte tempestade de vento, que fendia os montes e despedaçava as rochas, mas não foi suficiente para quebrar o coração do profeta que, naquele momento estava endurecido; nem do terremoto e muito menos do fogo (verso 11,12). É muito comum, em momentos de crises, buscarmos uma experiência com Deus através de algo que realmente nos impressione e nos deixe impactados. Quando perdemos a capacidade de ouvir a doce voz do Espírito, começamos a buscar ouvi-la por meio de experiências espalhafatosas. Nada simples e sutil nos agrada, tem que ser algo que realmente nos faça arrepiar!

Queremos chorar, ser sacudidos por algo que julgamos ser grandioso, mas esse tipo de comportamento nos faz entrar num círculo vicioso, transformando-nos em pessoas insaciáveis e exigentes, sempre em procura de mais. Devemos ser cuidadosos com isso, pois a Bíblia nos afirma que depois veio um “cicio tranqüilo e suave” (verso 12b) e foi naquele momento que Elias percebeu que Deus estava ali falando com ele.

Não é nossa intenção que a presente meditação tenha um tom mórbido de fracasso, queremos sim, que você encontre solução e saiba como enfrentar de cabeça erguida seus problemas, encontrando o caminho de volta a uma vida de triunfo e realização em Deus. Na segunda metade desta reflexão, quero destacar alguns princípios que tiraram Elias daquela situação e que, espero eu, ajude o amado leitor a vencer suas crises, provando a restauração de Deus em sua vida. Deus faz uma pergunta a Elias e, creio eu, é a pergunta que Ele sempre nos faz quando nos enclausuramos em nossas cavernas emocionais: “O que fazes aqui, Elias?” (verso 9). Em minha vida cristã tenho aprendido que, quando Deus nos pergunta algo, não é porque Ele não saiba a resposta, mas porque deseja abrir nossos olhos para algo que não estamos enxergando.

Deus quer despertar em Elias o senso de produtividade, ou seja, qual o proveito que o profeta estava tendo se colocando naquela situação? Muitas vezes, nos expomos a condições desnecessárias e totalmente improdutivas para a resolução dos conflitos que passamos. Temos que estar atentos para não cavarmos nossa própria cova e nos sentenciarmos à derrota, por meio de decisões e situações que não contribuirão em nada para alcançarmos um avanço em Deus. Algumas vezes passamos por crises desnecessárias porque assumimos posturas desnecessárias. Deus estava fazendo Elias enxergar que enquanto ele ficasse ali dentro, se lamentando e se excluindo, nada poderia ser feito para tirá-lo daquela situação.

Em seguida, Deus dá uma ordem a Elias: “sai” (verso 11). É hora de sairmos da caverna! Temos uma palavra de Deus que nos encoraja a isso e nos leva a olhar além da circunstância que estamos passando. Muitas vezes nossa atitude é de fazer nossas cavernas ficarem mais confortáveis, nos acomodamos com o problema e tentamos conviver com ele de forma pacífica e complacente. Dizemos: “preciso aprender a conviver com essa situação o resto de minha vida” e começamos a buscar confortos mentais e paliativos emocionais que desviarão nossa atenção da crise, no entanto ela está ali, crescendo, desenvolvendo-se e tomando conta de suas decisões e atitudes.Podemos tentar fazer da caverna um lugar menos inóspito, melhor habitável – podemos pintar as paredes, pendurar quadros com frases de efeito, podemos até mesmo recitar palavras positivas, mas continuaremos dentro da caverna!

Deus nos diz: “O que tenho para fazer através de você é lá fora. Não posso usar unção profética que está presa, atrofiada, embolorada!”. Elias sai e vai para o Monte Horebe, que é o Monte de Deus, onde tem uma experiência tremenda com Sua presença manifesta, a qual abordamos acima. Deus quer nos transportar dos vales das crises para os montes da vitória, para tanto, devemos obedecer a Sua voz e sairmos da caverna.

Uma última palavra que gostaria de registrar e, creio eu, ser de importância relevante para recebermos restauração, é o que está escrito no verso 15 e 16. Ao contrário do que buscamos em momentos de crise, que é nos isolarmos e darmos um tempo para nossas atividades até que as coisas se arrumem, Deus dá uma tarefa para Elias. O Senhor desafia o profeta. Deus não alimenta sua autocomiseração, não procura dar-lhe conforto mental, mas dá-lhe uma tarefa e aqui temos um princípio espiritual fundamental para restauração. Enquanto nos quedamos parados, amortizados, paralisados, nada significativo acontecerá conosco, pois só receberemos na medida em que damos, só somos abençoados na medida em que abençoamos, só nos sentimos renovamos e encorajados quando nos oferecemos a Deus para Seu serviço.

Conheço muitas pessoas que estão na caverna do desânimo, esperando Deus fazer algo, e só assim pensarão em cumprir sua missão. Sinto muito desapontar a expectativa de tais pessoas, mas o remédio para esse tipo de situação é começar a se mover em Deus, obedecendo a Sua palavra e cumprindo seu chamado. Não esperemos que algo “mágico” aconteça e de repente… tcham! Vencer a crise é uma decisão que tomamos assumindo uma posição de servos de Deus, dispondo-nos a abraçar seu desafio para nossas vidas.

Caro leitor, saia da caverna! Olhe para fora do seu mundo e veja o que Deus está fazendo. Deus quer falar-lhe de forma singela, mas verdadeira e profunda, quer erguê-lo de vale do desânimo e elevá-lo aos altos montes da conquista e da bênção. Acredite, você não está só! Olhe ao seu redor e veja o quanto Deus tem levantado homens e mulheres nessa geração, o quanto o Espírito de Deus tem se derramado e o quanto ele pode usá-lo para realizar algo realmente grande e que faça diferença!

Um abraço!
Marcos Arrais

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