Ouvindo Deus no Sussuro e no Trovão

4 09 2008

“…Que leve sussurro temos ouvido dele! Mas o trovão do seu poder, quem o entenderá?” (Jó 26:14).

Para a maioria das pessoas, o Livro de Jó é um livro enigmático, pois trata dos dilemas humanos em várias perspectivas. Esse livro demonstra, em última análise, que a grandeza e a soberania do Todo Poderoso está muito além da nossa capacidade de entender.

Jó retrata o Criador em Sua exuberância e excelência, executando soberanamente Sua vontade com perfeição e justiça. Veja como ele descreve as Suas obras no capítulo 26:

“A alma dos mortos tremem debaixo das águas com seus habitantes. O além está desnudo perante ele, e não há coberta para o abismo. Ele estende o norte sobre o vazio e faz pairar a terra sobre o nada. Prende as águas em densas nuvens, e as nuvens não se rasgam debaixo delas. Encobre a face do seu trono e sobre ele estende a sua nuvem. Traçou um círculo à superfície das águas, até aos confins da luz e das trevas. As colunas do céu tremem e se espantam da sua ameaça. Com a sua força fende o mar e com o seu entendimento abate o adversário. Pelo seu sopro aclara os céus, a sua mão fere o dragão veloz” (vs. 5-13).

“a compreensão humana sempre encontra um limite quando se depara com a infinitude Divina”

No Capítulo 26, mais especialmente, Jó apresenta algumas obras de Deus que deixam o homem perplexo e conclui: “Eis que isso são apenas as orlas dos seus caminhos” (v.14b), ou como nos mostra a Versão na Linguagem de Hoje: “Mas essas coisas são apenas uma amostra, um eco bem fraco do que Deus é capaz de fazer. Quem pode compreender a verdadeira grandeza do seu poder?”. O homem é tirado do seu pedestal de soberba e auto-suficiência e colocado frente à sua pequenez diante de um Deus tão Magnífico e misterioso. Na verdade algumas respostas para determinados dilemas da vida está na soberania divina, longe dos telescópios e microscópios, distantes da filosofia e até mesmo da teologia, uma vez que a compreensão humana sempre encontra um limite quando se depara com a infinitude Divina. O homem, mesmo com seus avanços científicos, não é capaz sequer de compreender as obras do Altíssimo, cabendo a ele reder-se e envergonhar-se de sua arrogância ao tentar viver separado de Quem o criou.

Deus deixou perceptíveis Seus sinais por todos os lados em que nos viramos, de maneira que seria indesculpável a afirmação de que não existe Deus. Na verdade tal afirmação não é somente um ato de rebeldia, mas de total tolice e incensatez: “Diz o insensato no seu coração: Não há Deus…” (Salmos 14:1).

Diante dessa reflexão acerca da grandeza de Deus, pois não poderia deixar de perceber tão gloriosa verdade, gostaria de meditar brevemente sobre as últimas palavras contidas nesse texto:

“…Que leve sussurro temos ouvido dele! Mas o trovão do seu poder, quem o entenderá?” (Jó 26:14).

“Sussurro” e “trovão” são dois acontecimentos bem diferentes e até opostos entre si. O fato é que precisamos aprender a ouvir Deus nas duas situações. Você já parou para perceber que Deus se revela das duas formas? O nosso grande problema é querermos encontrar Deus somente em uma delas.

“O sussurro de Deus só pode ser percebido quando silenciamos os gritos da nossa alma, e entramos numa atmosfera de quietude reverente”

Quando falo de “sussurro”, refiro-me àquela experiência que devemos ter em nosso lugar secreto – quietos e silenciosos, deixando o Espírito Santo Sussurrar em nossos corações as grandezas de Deus, bem como revelar-nos a Sua vontade. O sussurro de Deus só pode ser percebido quando silenciamos os gritos da nossa alma, e entramos numa atmosfera de quietude reverente onde a doce e augusta presença de Deus começa a operar em nossos corações, dando-nos paz interior e refrigério renovador. Lembremo-nos de quando os discípulos estavam no barco sendo assolados por uma forte tempestade enquanto Jesus dormia entre eles. Vejamos o texto:

“Naquele dia, sendo já tarde, disse-lhes Jesus: Passemos para a outra margem. E eles, despedindo a multidão, o levaram assim como estava, no barco; e outros barcos o seguiam. Ora, levantou-se grande temporal de vento, e as ondas se arremessavam contra o barco, de modo que o mesmo já estava a encher-se de água. E Jesus estava na popa, dormindo sobre o travesseiro; eles o despertaram e lhe disseram: Mestre, não te importa que pereçamos? E ele, despertando, repreendeu o vento e disse ao mar: Acalma-te, emudece! O vento se aquietou, e fez-se grande bonança. Então, lhes disse: Por que sois assim tímidos?! Como é que não tendes fé? E eles, possuídos de grande temor, diziam uns aos outros: Quem é este que até o vento e o mar lhe obedecem?” (Marcos 4.35-41).

não percam a serenidade mesmo quando vocês estiverem no meio da agitação da vida! Não deixem que as pressões e a agitação do dia-a-dia lhes roube a capacidade de ouvir o ‘sussurro’de Deus.

Jesus e Seus discípulos estavam vivendo dias muito agitados, o barulho das multidões por todos os lados e as constantes pressões ministeriais demandavam deles um ritmo muito puxado de trabalho. Ao afastarem-se num das exigentes multidões num barco, Jesus aproveita o tempo para ficar quieto e tirar um cochilo, mas eis que uma tempestade os alcança e logo os Seus discípulos se desesperam com a violência das ondas, a fúria dos ventos e o ribo’os lhe perguntam: “Mestre, não te importa que pereçamos?”. Posso imaginar o Mestre levantando-se com olhar sereno e autoridade inquestionável, dizendo: “Acalma-te, emudece!” e logo tudo voltou ao normal! Entendo que essa palavra de Jesus não foi dirigida apenas às forças da natureza, mas principalmente ao coração dos Seus discípulos. Jesus estava dizendo: “não percam a serenidade mesmo quando vocês estiverem no meio da agitação da vida!” Não deixem que as pressões e a agitação do dia-a-dia lhes roube a capacidade de ouvir o “sussurro” de Deus. Na verdade as tempestades têm mais a ver com as nossas inseguranças e medos do que com a realidade. O que eu quero dizer com isso é que se aprendemos a ouvir os sussurros do Espírito, não nos deixamos perturbar pelo barulho de fora. É como se tudo ao nosso redor silenciasse e de repente nos deparássemos somente com o Pai que sorri para nós e nos diz: “não tenha medo! Confie em mim!”.

“É como se tudo ao nosso redor silenciasse e de repente nos deparássemos somente com o Pai que sorri para nós e nos diz: ‘não tenha medo! Confie em mim!'”

De fato, precisamos admitir que grande parte dos problemas que enfrentamos tem mais a ver com a maneira como os encaramos do que com a forma como eles realmente são, isso porque os problemas terão a dimensão que lhes damos. Não precisamos transforma-nos em monges eremitas para encontrarmos a verdadeira paz, pois esta se manifesta quando estamos navegando em meio às tempestades da vida.

Quando eu era criança, gostava de brincar com a minha própria sombra. Imaginava muitas coisas quando esticava meus braços e estendia minhas mãos, movimentando e dando forma a elas. As verdades são paralelas! A sombra nunca corresponde ao tamanho original de sua fonte e sempre a veremos de forma distorcida. O que precisamos fazer é parar de olhar para a sombra e lidarmos com a situação real.

Você perceberá que na medida em que nos aproximamos de Deus por meio de um relacionamento com Ele, os problemas diminuirão diante dos seus olhos.

Deus pode nos mostrar coisas maravilhosas através de um sussurro. Jó disse que todas essas obras incompreensíveis de Deus não passam de um sussurro! Precisamos estar afinados com o Pai, por meio da oração e da contemplação de Seus atributos, dando tempo à meditação de Sua Palavra e investindo em períodos de adoração. Precisamos tomar atitudes novas em relação à maneira como lidamos com a correria do dia-a-dia, sem deixar que o grito da multidão abafe o cochichar do Espírito, caso contrário entraremos num caos existencial que refletirá tragicamente em nossas vidas.

Quando permitimos o temor e a apreensão nos dominar, tornamo-nos insensíveis a ouvir a voz de Deus mesmo quando Ele está gritando. A história de Elias nos mostra exatamente isso, quando este grande profeta se deixou levar pelas ameaças de Jezabel e pelos temores da sua alma:

não percam a serenidade mesmo quando vocês estiverem no meio da agitação da vida! Não deixem que as pressões e a agitação do dia-a-dia lhes roube a capacidade de ouvir o ‘sussurro’de Deus.

“Podemos entrar num grau de insensibilidade tão letal, que perdemos a percepção acerca de Deus, mesmo quando Ele está gritando”

“Disse-lhe Deus: Sai e põe-te neste monte perante o SENHOR. Eis que passava o SENHOR; e um grande e forte vento fendia os montes e despedaçava as penhas diante do SENHOR, porém o SENHOR não estava no vento; depois do vento, um terremoto, mas o SENHOR não estava no terremoto; depois do terremoto, um fogo, mas o SENHOR não estava no fogo  …” (1Reis 19.11,12a).

Podemos entrar num grau de insensibilidade tão letal, que perdemos a percepção acerca de Deus, mesmo quando Ele está gritando.

No entanto, quando estamos devidamente afinados com o Pai, um simples cicio tranqüilo e suave é suficiente para sermos envolvidos com a Sua presença e ouvirmos a Sua poderosa voz: “…e, depois do fogo, um cicio tranqüilo e suave.  Ouvindo-o Elias, envolveu o rosto no seu manto e, saindo, pôs-se à entrada da caverna. Eis que lhe veio uma voz e lhe disse: Que fazes aqui, Elias?”

“Mas o trovão do seu poder, quem o entenderá?”, diz Jó. “O trovão do Seu poder” revela o aspecto espantoso das obras de Deus. Primeiro devemos estar sensíveis o suficiente para percebermos a Sua mão nas coisas simples e “imperceptíveis”, depois nos tornamos aptos para lidarmos com o Seu poder manifesto.

O trovão é uma das manifestações mais espantosas da natureza e retrata perfeitamente a magnificência das obras de Deus. Quem não se estremece diante do ribombar de um trovão, acompanhado de uma descarga elétrica de milhares de volts que riscam os céus? Vários episódios na Bíblia, a manifesta presença de Yahweh é vista desta forma:

  • A voz e a sabedoria de Yahweh trovejam poderosamente:

“Ouve-se a voz do SENHOR sobre as águas; troveja o Deus da glória; o SENHOR está sobre as muitas águas” (Salmos 29:3).

“Com a sua voz troveja Deus maravilhosamente; faz grandes coisas, que nós não compreendemos” (Jó 37:5).

  • O Fulgor da Sua glória provoca um forte assombro no povo de Israel:

“Ao amanhecer do terceiro dia, houve trovões, e relâmpagos, e uma espessa nuvem sobre o monte, e mui forte clangor de trombeta, de maneira que todo o povo que estava no arraial se estremeceu. Todo o povo presenciou os trovões, e os relâmpagos, e o clangor da trombeta, e o monte fumegante; e o povo, observando, se estremeceu e ficou de longe” (Êxodo 19:16 ,18).

  • O juízo divino é comparado ao grande espetáculo da natureza:

“Do SENHOR dos Exércitos vem o castigo com trovões, com terremotos, grande estrondo, tufão de vento, tempestade e chamas devoradoras” (Isaías 29:6).

  • Na consumação dos tempos, a glória de Deus é vista como trovões e relâmpagos:

“Do trono saem relâmpagos, vozes e trovões, e, diante do trono, ardem sete tochas de fogo, que são os sete Espíritos de Deus” (Apocalipse 4:5).

  • Essas manifestações de Deus devem causar em nós um reverente temor:

“E eles, possuídos de grande temor, diziam uns aos outros: Quem é este que até o vento e o mar lhe obedecem?” (Marcos 4:41). O temor de Deus se apoderou daqueles discípulos de tal forma que Eles puderam contemplar em Jesus a própria Pessoa de Yahweh:

“A voz de Deus, como de um trovão, agora ecoava pelas ruas empoeiradas da Galiléia por meio do Cordeiro que Ele nos enviou”

“Havendo Deus, outrora, falado, muitas vezes e de muitas maneiras, aos pais, pelos profetas, nestes últimos dias, nos falou pelo Filho, a quem constituiu herdeiro de todas as coisas, pelo qual também fez o universo. Ele, que é o resplendor da glória e a expressão exata do seu Ser, sustentando todas as coisas pela palavra do seu poder, depois de ter feito a purificação dos pecados, assentou-se à direita da Majestade, nas alturas, tendo-se tornado tão superior aos anjos quanto herdou mais excelente nome do que eles” (Hebreus 1.1-3).

A voz de Deus, como de um trovão, agora ecoava pelas ruas empoeiradas da Galiléia por meio do Cordeiro que Ele nos enviou. Cada palavra proferida por Jesus produzia um verdadeiro terremoto nas estruturas do pecado que amarrava as pessoas e certamente abalava as forças infernais. Jesus veio abrindo uma estrada para palmilharmos o caminho de volta à presença do Pai.

Não sabemos o que Pedro exatamente viu quanto ao que está escrito: “Vendo isto, Simão Pedro prostrou-se aos pés de Jesus, dizendo: Senhor, retira-te de mim, porque sou pecador” (Lucas 5:8). Certamente uma vislumbre da majestade e santidade de Jesus pôde acontecer naquele momento. Mesmo aquela mulher que lavava os pés de Jesus com suas lágrimas e os enxugava com os seus cabelos, viu algo que os demais não perceberam: “e, estando por detrás, aos seus pés, chorando, regava-os com suas lágrimas e os enxugava com os próprios cabelos; e beijava-lhe os pés e os ungia com o ungüento” (Lucas 7:38). São inúmeros os acontecimentos que revelam a reação do ser humano frente à majestade de Deus.

Que estejamos sensíveis para Deus quando Ele vier ou por um sussurro, ou por meio do trovão. Que possamos esperar sua manifestação e correspondermos a ela de forma que Ele seja adorado e Sua presença refletida através de nossas vidas.

Forte abraço!

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One response

5 09 2008
Nilson Santana

Amém!!!
Realmente Deus fala.
Abraço,

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