Esbofeteando Jesus!

1 08 2008

“Dizendo ele isto, um dos guardas que ali estavam deu uma bofetada em Jesus, dizendo: É assim que falas ao sumo sacerdote?” (João 18:22).

O princípio de submissão às autoridades constituídas é largamente exposto nas Escrituras. Mesmo em casos onde a autoridade desviou-se de Deus o princípio do respeito e da honra não pode ser invalidado. Um caso clássico que mostra esse princípio é o de Saul que, mesmo tendo apostatado de sua fé no Senhor, Davi continua honrando-o como “ungido de Deus” (1Sm 24.10). Em Romanos 13, falando sobre as autoridades civis, a Bíblia afirma que “todo homem esteja sujeito às autoridades superiores; porque não há autoridade que não proceda de Deus; e as autoridades que existem foram por ele instituídas” (Rm 13:1. Ver também 2Pe 2.13). O princípio da autoridade e submissão começa dentro de casa, onde os filhos devem honrar seus pais (Ex 20.12; Ef 6.2), a esposa submeter-se ao marido (Cl 3.18 ) e estende-se à igreja (Ef 5.21; Hb 13.17).

O próprio Jesus sujeitou-se a autoridades, dando-nos exemplo de como vivermos com ordem e harmonia (Lc 2.51; Mt 3.17; Jo 19.11). No entanto, o texto que lemos acima nos mostra que Jesus estava sendo punido por supostamente desacatar uma autoridade. Esse episódio nos traz um ensino muito proveitoso com respeito à maneira como temos lidado com as motivações que nos levam a tomar algumas atitudes.

Sabemos que Jesus estava sendo alvo de uma armação minuciosamente arquitetada para levá-lo à morte, o próprio sumo sacerdote estava envolvido na “maracutaia”. Era evidente que o “réu” não tinha por onde espaçar, pois a situação estava sinistramente orquestrada para a condenação certa. A conspiração envolvia todas as autoridades locais que subornaram até um de seus discípulos e pensaram em todos os detalhes para executarem o Senhor com requintes de crueldade. No momento do seu interrogatório, Jesus é esbofeteado por um soldado que O repreendeu por ter respondido ao sumo sacerdote de uma forma que o fazia parecer estúpido. A pergunta que gostaria de fazer é: quem estava desacatando a autoridade? A Bíblia diz que Jesus é o “Apóstolo e Sumo Sacerdote da nossa confissão” (Hb 3.1). Ou seja, Sua autoridade está cima de qualquer outra. Se Anás atentasse para as Escrituras proféticas, saberia quem estava diante dele, se despojaria de suas vestes sacerdotais e se prostraria diante do Supremo Sacerdote.

Muitas vezes nos prendemos tanto em tradições e religiões, em coisas do tipo “essa é a forma correta e essa é a errada” que acabamos passando por cima do verdadeiro espírito da Lei que é o amor e a misericórdia: “Ai de vós, escribas e fariseus, hipócritas, porque dais o dízimo da hortelã, do endro e do cominho e tendes negligenciado os preceitos mais importantes da Lei: a justiça, a misericórdia e a fé; devíeis, porém, fazer estas coisas, sem omitir aquelas!” (Mateus 23:23). Quantas vezes, em nome do zelo acabamos esbofeteando a Jesus como fez aquele guarda! Isso acontece porque acabamos colocando a aparência e a forma acima da essência e da experiência pessoal com Ele.

Algumas pessoas se apegam tanto a picuinhas sem importância que acabam deixando “passar um camelo”: “Guias cegos, que coais o mosquito e engolis o camelo!” (Mateus 23:24), ou seja, prendem-se tanto a superficialidades que se esquecem do que verdadeiramente faz a diferença. Muitas vezes estamos mais preocupados com o que “está estampado na camiseta do outro” do que com o que está impresso em nosso caráter. Há muita gente que conhece tantas regras que se transformaram em legalistas obsessivos. Olham para tudo e para todos sempre desconfiados, procurando algo “errado” e se esquecem de desfrutar de um vivo e revigorante relacionamento com Deus, deixando que Ele trate de convencer cada um daquilo que Lhe desagrada. Isso não significa que devemos deixar de nos orientar uns aos outros, mas que não podemos esbofetear o Supremo Sacerdote em nome da hipocrisia e do legalismo.

Nossos paradigmas não podem passar por cima dos princípios bíblicos essenciais. Não podemos nos valer de determinadas posições ou prerrogativas para ferir as pessoas, deixando-as marcadas e desanimadas. Vejamos uma situação semelhante a que passou o Senhor: Paulo fazia a sua defesa diante do sinédrio, “Mas o sumo sacerdote, Ananias, mandou aos que estavam perto dele que lhe batessem na boca” (Atos 23:2). Diante daquela censura no mínimo repressora, Paulo, sem saber quem o havia repreendido retrucou imediatamente: “…Deus há de ferir-te, parede branqueada! Tu estás aí sentado para julgar-me segundo a lei e, contra a lei, mandas agredir-me?” (Atos 23:3). Mas logo sabendo com quem falava, retratou-se imediatamente: “Os que estavam a seu lado disseram: Estás injuriando o sumo sacerdote de Deus? Respondeu Paulo: Não sabia, irmãos, que ele é sumo sacerdote; porque está escrito: Não falarás mal de uma autoridade do teu povo” (At 23.4,5). A questão em foco diz respeito ao erro de colocarmos as regras humanas acima dos princípios divinos. Não podemos esbofetear Jesus e nem o ensino apostólico por conta da nossa intransigência e legalismo. Mesmo ao repreender alguém por algo equivocado que estejam fazendo, devemos tratar com amor, visando mudança e não o machucando por conta do nosso ponto de vista.

Pensemos um pouco sobre quantas vezes nos colocamos no lugar daquele guarda, ferindo o Senhor ao valorizarmos mais a forma de fazer do que a motivação que nos leva a fazer. Quantas vezes temos deixado de honrar o “Sumo Sacerdote Jesus” para honrarmos mias o “sumo sacerdote Anás”. “Tais coisas, com efeito, têm aparência de sabedoria, como culto de si mesmo, e de falsa humildade, e de rigor ascético; todavia, não têm valor algum contra a sensualidade” (Colossenses 2:23). Não podemos esbofetear Jesus porque o irmão come carne e nós não, não podemos colocar questões sem importância acima do essencial, que é o sangue de Jesus que nos une. Jesus pagou um alto preço para nos resgatar da escravidão do pecado, não barateemos seu sacrifício por conta de pontos de vistas pessoais. Acima de tudo, honremos o Sumo Sacerdote que nos deu o direito de vivermos livres e andemos sem as prisões do legalismo, aceitando nossas diferenças.

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2 responses

3 08 2008
Palavra do Líder!!! « Nilsonsantana’s Weblog

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3 08 2008
Nilson Santana

Muito tremenda essa palavra, gostei tanto que postei no meu blog tb.

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